quarta-feira, 25 de maio de 2016

A IRA DA ESTIVA

Chamam-lhe "A ira da estiva"
 
E é por aqui que começo, porque de vez em quando há que parar para pensar: até onde podem ou devem ir os trabalhadores no exercício democrático do direito à greve? É ele absoluto? Com certeza que não. Mas deve ser exercido? Sem dúvida, quando há interesses vitais que estão em jogo, por isso é a última forma de luta. Dos trabalhadores, em primeiro lugar, mas também do país. A questão é recorrente, e às vezes até tem contornos filosóficos. Mas não vou por aí.

Esta greve dos estivadores de Lisboa que afeta o porto da capital há 35 (36) dias (alargada aos portos de Setúbal e da Figueira da Foz) provoca 300 mil euros de prejuízos por dia ao país. Os trabalhadores queixam-se que há quem esteja a ser contratado ao dia, que os patrões querem tornar os vínculos precários, que os salários estão em atraso; os operadores que já não podem ceder nem perder mais e encetaram os procedimentos para um despedimento coletivo. Mas então é esta a única alternativa: ou greve ou despedimento coletivo? O João Palma-Ferreira, a quem roubei o título da prosa, explica o que se passa e que está a provocar uma dramática falta de medicamentos na Madeira, que já teve que recorrer à Força Aérea para se abastecer. Os contentores que estavam por descarregar foram ontem transportados do porto de Lisboa sob vigilância policial.

A greve, entretanto, já se tornou um problema político para o Governo. A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, afirma, salomónica, que a razão não está só de um lado, e que tentou conciliar patrões e empregados (e é verdade). Em vão. Avisou: “É um conflito social entre privados, mas afeta-nos, público, porque afeta a economia nacional. Chegou a ser assinado um acordo de paz social. Agora chegou a altura de decidir: ou mantemos os privilégios de alguns ou mantemos o emprego dos milhares de pessoas que vivem direta ou indiretamente do porto”. Veja aqui também. Mas o Bloco de Esquerda e o PCP não alinham pela mesma bitola e querem que o Governo interceda pelos trabalhadores. O assunto é para seguir de perto. Por ambas as razões: económicas e políticas.
 
OUTROS ASSUNTOS
Estão ligados: é o estado frágil da economia portuguesa. Há vários dias que é essa a tónica de intervenções várias, sobretudo desde que a Comissão Europeia anunciou, na semana passada, que Portugal pode estar sujeito a sanções. Ontem, o presidente do Eurogrupo (o tal grupo que não existe formalmente mas manda que se farta) diz que há razões para sanções a Portugal e Espanha (vem nos tratados, pois claro), mas o ministro Mário Centeno desvalorizou: "Portugal está no caminho certo". Entretanto, o comissário Moscovici já havia dito que o contrário de Dijsselbloem e quer mesmo o fim dos procedimentos de défices excessivos. Estas versões na UE fazem lembrar um bocadinho a história do pide mau e do pide bom, não é?

O problema é que já são muitos os sinais de que a economia começa a escorregar. O Governo, pela voz da secretária de Estado Margarida Marques, diz o óbvio: que as sanções só criam dificuldades aos Estados que querem recuperar. Mas já o seu colega de partido Vera Jardim está cheio de dúvidas sobre o rumo económico do Executivo. Pois, pontos de vista.

E, depois, há muitas vozes internacionais a dar opiniões: é o ex-ministro das Finanças grego (antecessor de Varoufakis, calma!), que diz que a Europa está pelos cabelos; é o homem do BCE a dizer que “o Governo tem de pensar nas implicações orçamentais das 35h” (para além do próprio BCE, que acha que o stress sobre Portugal aumentou com a incerteza na banca); e a Moody's a lançar alertas para ao abrandamento da economia: “Tudo o que a agência de rating pensa sobre Portugal”, é o título do texto do Negócios. E por falar em banca, sabe que é hoje o dia das alegações finais da do BPN?

A carga psicológica sobre o Governo está a subir. O Presidente da República já veio advertir contra a “permanente agitação dos analistas”:"Por um lado quer-se a estabilidade e por outro especula-se sobre a instabilidade", observou, considerando que essa é uma das razões da "instabilidade dos mercados internacionais". Mas também aumentou a parada ao PM, dizendo que até às eleições autárquicas de 2017 se vive um ciclo e "depois das autárquicas veremos o que se passa". António Vitorino descodificava na SIC dizendo que sim, esse será o primeiro momento que pode ser lido como aquele em que os portugueses se pronunciarão sobre esta solução governativa, Santana Lopes achou que se tivesse sido Cavaco Silva a dizê-lo teriam caído o Carmo e a Trindade. O próprio Marcelo Rebelo de Sousa explicou porque o disse. Mas os socialistas não gostaram. A manchete do I é elucidativa: "Marcelo marca prazo de validade a Costa e enerva geringonça".

Marcelo Rebelo de Sousa foi aliás protagonista de um momento inédito e digno de registo, anunciando – ao som do “Melhor de Mim”, da Mariza - que faria uma visita às tropas portuguesas na República Centro-Africana. Portugal está mesmo diferente.

No setor da Justiça, a ministra Francisca Van Dunem anunciou que vão reabrir 19 tribunais. A ministra não disse que nome vai dar à vintena de tribunais que irá reabrir, quer às 27 secções de proximidade, mas uma coisa é certa: “secções de proximidade” é terminologia que vai abolir, por entender que “desvaloriza muito a função do tribunal”.

A vida nacional também continua agitada por um tema ressuscitado da guerra fria, mas em que é português o protagonista: o do espião que vendeu documentos aos russos e que foi apanhado no ato. Então não é que ele tinha a vida escancarada no facebook? E por falar em agentes secretos, não é irresistível esta notícia: “My name is Bond. Jane Bond”?

E ainda há um outro tema que se arrasta, não menos mediático: o dos contratos de associação das escolas. Diz a Isabel Leiria que o grau de dependência dos colégios com contratos de associação face ao financiamento estatal é tal, que no conjunto as receitas que vêm das mensalidades são quase nulas. Ela leu o estudo do Ministério que serviu de base à decisão do Governo de os reduzir, o leitor pode tirar as suas próprias conclusões. O Henrique Monteiro tirou as dele, ligando-as a uma outra polémica inusitada: a comparação a Estaline do sindicalista Mário Nogueira, num cartaz da JSD, que tem desde já um processo prometido.

Se o leitor é pessoa avisada, por favor não perca nem se perca e estude as novas regras sobre as cartas de condução por pontos. Atenção! Aplica-se já a partir de 1 de junho! A Mafalda Ganhão explica as dúvidas e até lhe diz onde se deve registar.

E se o leitor é amante de histórias de vida (e de futebol e do Benfica), não vai querer perder este nosso pioneiro web-documentário-interativo. O Pedro Candeias ajudou-me a explicar: “No início dos anos 70 houve um futebolista português que parou um Benfica-Sporting à procura de um brinco, que comprou um Jaguar e o equipou com um motorista para o guiar de Setúbal a Lisboa, que atava um cão a uma baliza durante os treinos, que usava sandálias de tacão alto, jeans rasgados, camisas abertas, brinco, ca uma baliza durante os treinos, que usava sandálias de tacão alto, jeans rasgados, camisas abertas, brinco, cabelo e barba compridos quando todos os outros vestiam fato e gravata. Que teve tudo e perdeu tudo na droga e na noite e em maus negócios. Chamava-se Vítor Baptista e tinha uma alcunha: O Maior. Foi um dos maiores mitos do futebol português".

E por falar em futebol, já sabe que o nosso Mourinho vai para o Manchester United, não sabe? Afinal, quem tem medo do lobo Mou? Há quem tivesse preferido outro.

LÁ FORA
Venezuela. Antes de mais, veja este perfil do país e como se chegou aqui. Vale a pena, porque tudo se adensa para um mau desfecho, com milícias a ser armadas. Se quer ter a opinião do Francisco Louçã, ei-la. “A tragédia da Venezuela”, chama-lhe.

Grécia. No mesmo Eurogrupo que durou pela noite fora, foi finalmente decidido o terceiro resgate, por 10.3 mil milhões de euros. A reestrututuração da dívida foi também decidida, mas será por fases. Espreite a ver o que o timeline de uma crise que ainda não foi debelada. É ilustrativo.

Áustria. Não encontro melhor definição para a situação do que a da Teresa de Sousa no artigo que escreveu ontem no Público intitulado “Até ao próximo susto”: “Se o candidato da extrema-direita tivesse vencido as eleições presidenciais na Áustria, as capitais europeias e as instituições da União não saberiam o que fazer. Com a vitória do seu adversário Verde, mesmo que por uma unha negra, vão limitar-se a respirar de alívio e esquecer o que aconteceu até ao próximo susto”.

Polónia. Depois do susto austríaco e da realidade húngara, eis que uma outra deriva se prepara na Europa contra o chamado estado de Direito. O comissário Frans Timmermans, o mesmo que esteve cá na semana passada, foi até lá. As reformas que o Governo polaco tem na forja são mais que duvidosas sob esse ponto de vista.

França. A nova lei do trabalho está a por o país à beira do caos. Espreite aqui e aqui (em francês). Depois da greve das refinarias, também nas centrais nucleares? A coisa está a ficar mesmo feia - e para ter uma ideia veja este vídeo. O Liberation pergunta se a CGT pode parar o país. Parece que sim. Lá como cá, o FMI acha que a legislação do trabalho é a chave das reformas. Cartilha?

Estados Unidos. Leitor, tenha medo, muito medo. Pela primeira vez, as sondagens dão os candidatos democrata (Hillary Clinton) e republicano (Donald Trump) empatados. Mesmo que não leia francês, os gráficos são eloquentes. O romancista Richard North Patterson desdramatiza (em inglês).

Terrorismo. Dois alarmes: foi mesmo uma bomba que fez explodir o avião egípcio que saiu de Paris em direção ao Cairo; e a ameaça de ataques terroristas na União Europeia continua a ser a principal preocupação de segurança nacional, com 211 ataques frustrados só em 2015. Não é coisa que nos deixe tranquilos.

FRASES
"Deslidudam-se aqueles que pensam que o Presdiente da República vai dar um passo sequer para provocar instabilidae neste ciclo que vai até às autárquicas. Depois das autárquicas vermos o que se passa, mas o ideal para Portugal é que o Governo dure e tenha sucesso" - Presidente da República, citado pelo I

"O tique de simpatia de Marcelo não passará de um compasso de espera, visando dar tempo à chegada do PSD ao ponto de rebuçado" - Porfírio Silva, membro do secretariado nacional do PS, no facebook.

"Não há justificação para que alguém, através de um salário, possa ganhar cem vezes mais do que um trabalhador da mesma organização" - João Torres, secretário-geral da JS, sobre a moção ao Congresso do seu partido, que visa baixar salários aos gestores, ao DN

O QUE ANDO A LER
Eu gosto de assuntos europeus. E nada como ler um livro refrescante com uma opinião fora do chamado mainstream (perdoe-me o anglicismo). O livro é de António Goucha Soares, professor do ISEG e titular de uma cátedra Jean Monnet. E chama-se provocatoriamente “Euro – E se a Alemanha sair primeiro?” (Temas e Debates/Círculo de Leitores). O interessante do livro não são as questões económicas, é a explicação das questões políticas que estiveram (e estão) presentes ao longo da crise, as alterações dos equilíbrios de poder. Não perca. É conselho de amiga.

E por hoje é tudo, o dia começa cedo. Tenha um bom dia! Já sabe - para atualização a todas as horas, consulte o Expresso online, para uma leitura mais completa dos principais acontecimentos, marque o ponto no Expresso Diário, às 18h.
 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

É UM DEVER PARTICIPAR...

Aula de Direito

Uma manhã, quando nosso novo professor de "Introdução ao Direito" entrou na sala, a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
- Como te chamas?
- Chamo-me Juan, senhor.
- Saia de minha aula e não quero que voltes nunca mais! - gritou o desagradável professor.

Juan estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala. Todos estávamos assustados e indignados, porém ninguém falou nada.

- Agora sim! - e perguntou o professor - para que servem as leis?...
Seguíamos assustados, porém pouco a pouco começamos a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso... para que haja justiça.
E agora, para que serve a justiça?
Todos começávamos a ficar incomodados pela atitude tão grosseira.
Porém, seguíamos respondendo:
- Para salva guardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor.
- Para diferençar o certo do errado... Para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal, porém... respondam a esta pergunta: - agi correctamente ao expulsar Juan da sala de aula?...
Todos ficamos calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não!! - respondemos todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!!!
- E por que ninguém fez nada a respeito?
Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las?
- Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos.
Não voltem a ficar calados, nunca mais!
- Vá buscar o Juan - disse, olhando-me fixamente.
Naquele dia recebi a lição mais prática no meu curso de Direito.
Quando não defendemos nossos direitos perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.


"O PREÇO A PAGAR PELA TUA NÃO PARTICIPAÇÃO NA POLÍTICA É SERES GOVERNADO POR QUEM É INFERIOR".- PLATÃO (C. 428 - 347 A.C.)
 






CRUCIFICADOS


Crucificados


CRUCIFICADOS


Crucificados


CRUCIFICADOS


PARAISO FISCAL


quinta-feira, 12 de maio de 2016

AI SE PORTUGAL TIVESSE MAR

"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses." Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco.
Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico. Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo Marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti?

Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.

Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano.

Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras. Fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.


Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.
Eu, às vezes penso:
O que não poupávamos se Portugal tivesse mar.

JOÃO QUADROS. NEGÓCIOS ONLINE

segunda-feira, 9 de maio de 2016

LEMBRETE

Lembrete




Há 5 anos foi anunciado ao país “Um bom acordo, um acordo que defende Portugal” nas palavras do senhor da esquerda da fotografia.

Nessa altura, o actual ministro da economia era assessor do ministro das finanças, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros era ministro da Defesa, o actual ministro da Segurança Social e do Emprego era ministro da Economia, o actual ministro do Planeamento era secretário de Estado da Segurança Social, o actual ministro do Ensino Superior era secretário de estado da Ciência e Ensino Superior e a actual ministra adjunta era secretária de estado da Modernização Administrativa.
 
 

domingo, 8 de maio de 2016

SER FELIZ...

: Ser feliz é:




Para aprendermos a ser felizes toda a ajuda é bem vinda!...
Que esta mensagem poética do Papa Francisco seja uma preciosa dádiva !...




papa-francisco1
 

 
 
A mensagem do Papa Francisco é para que aprendamos a ser Felizes !
 
Podes ter defeitos, estar ansioso e viver irritado algumas vezes, mas não te esqueças que a tua vida é a maior empresa do mundo.
 
Só tu podes evitar que ela vá em decadência.
 
Há muitos que te apreciam, admiram e te querem.
 
Gostaria que recordasses que ser feliz, não é ter um céu sem tempestades, caminho sem acidentes, trabalhos sem fadiga, relacionamentos sem decepções.
 
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.
 
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas também refletir sobre a tristeza.
 
Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.
 
Não é apenas ter alegria com os aplausos, mas ter alegria no anonimato.
 
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
 
Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.
 
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar ator da própria história.
 
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no longínquo de nossa alma.
 
É agradecer a Deus cada manhã pelo milagre da vida.
 
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
 
É saber falar de si mesmo.
 
É ter coragem para ouvir um “não”.
 
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que seja injusta.
 
É beijar os filhos, mimar aos pais, ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.
 
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples, que vive dentro de cada um de nós.
 
É ter maturidade para dizer ‘enganei-me’.
 
É ter a ousadia para dizer ‘perdoa-me’.
 
É ter sensibilidade para expressar ‘preciso de ti’.
 
É ter capacidade de dizer ‘amo-te’.
 
Que tua vida se torne um jardim de oportunidades para ser feliz…
 
Que nas tuas primaveras sejas amante da alegria.
 
Que nos teus invernos sejas amigo da sabedoria.
 
E que quando te enganares no caminho, comeces tudo de novo.
 
Pois assim serás mais apaixonado pela vida.
 
E podes facilmente encontrar novamente que ser feliz não é ter uma vida perfeita.
 
Mas usar as lágrimas para regar a tolerância.
 
Usar as perdas para refinar a paciência.
 
Usar as falhas para esculpir a serenidade.
 
Usar a dor para lapidar o prazer.
 
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
 
Nunca desistas….
 
Nunca desistas das pessoas que amas.
 
Nunca desistas de ser feliz, pois a vida é um espectáculo imperdível!
 
 
 
 
 

POLIGROTA

"O POLIGROTA"


*É verdade matemática que ninguém pódi negá, **
que essa história de gramática só serve pra atrapaiá.
Inda vem língua estrangêra ajudá a compricá.
Meió nóis cabá cum isso pra todos podê falá.


Na Ingraterra ouví dizê que um pé de sapato é xu.
Desde logo já se vê, dois pé deve sê xuxu.
Xuxu pra nóis é um legume que cresce sorto no mato.
Os ingrêis lá que se arrume, mas nóis num come sapato.


Na Itália dizem até, eu não sei por que razão,
que como mantêga é burro, se passa burro no pão.
Desse jeito pra mim chega, sarve a vida no sertão,
onde mantêga é mantêga, burro é burro e pão é pão.


Na Argentina, veja ocêis, um saco é um paletó.
Se o gringo toma chuva tem que pô o saco no sór.
E se acaso o dito encóie, a muié diz o pió:
''Teu saco ficô piqueno, vê se arranja ôtro maió'...


Na América corpo é bódi. Veja que bódi vai dá.
Conheci uma americana doida pro bódi emprestá.
Fiquei meio atrapaiado e disse pra me escapá:
Ói, moça, eu não sou cabra, chega seu bódi pra lá!


Na Alemanha tudo é bundes. Bundesliga, bundesbão.
Muita bundes só confunde, disnorteia o coração.
Alemão qué inventá o que Deus criou primêro.
É pecado espaiá o que tem lugar certêro.


No Chile cueca é dança de balançá e rodá.
Lá se dança e baila cueca inté a noite acabá.
Mas se um dia um chileno vié pro Brasir dançá,
que tente mostrá a cueca pra vê onde vai pará.


Uma gravata isquisita um certo francês me deu.
Perguntei, onde se bota? E o danado respondeu.
Eu sou home confirmado, acho que num entendeu,
Seu francês mar educado, bota a gravata no seu!


Pra terminar eu confirmo, tem que se tê posição.
Ô nóis fala a nossa língua, ô num fala nada não.
O que num pode é um povo fazê papér de idiota,
dizendo tudo que é novo só pra falá poligrota... *

* (Autor desconhecido)*

PARA ONDE SE CAMINHARÁ?

      




















Estes têm sido dias difíceis. Não por cansaço, que ainda não é tempo para tanto. Mas por falta de perícia. E de sabedoria. A remodelação de um ministro e dois secretários de Estado foi desagradável. Não mais do que isso, mas suficiente para revelar desordem nos espíritos.
O processo que conduziu à demissão do chefe do Estado-Maior do Exército tresanda a política, oportunismo e rivalidade. A posição do ministro ficou frágil.
A Educação parece calma, pois os sindicatos entenderam que era melhor abrandar a fim de bater mais tarde. O ministro não acerta, mas contenta os clientes. Ganha tempo, mas perde força.
Já se começam a sentir os efeitos das mãos generosas do governo. Por um lado, subida nas sondagens. Não muito, mas o suficiente para fazer sorrir. Por outro lado, o aperto financeiro. Começam a desaparecer as "folgas"...
A questão das nomeações continua viva. Há anos. Com todos os governos. Desta vez, com o Bloco e o PCP no radar, será ainda mais complexo. Cargos para os camaradas surgem todos os dias. Dirigentes seleccionados pela CRESAP já foram substituídos por decisão política discricionária. São inéditos os ataques ao Banco de Portugal.
Foi insólita a designação, nomeação e contratação do "meu melhor amigo há muitos anos" para tratar das situações delicadas, da TAP ao BANIF e ao BES passando por Angola... Assim é que se perpetua uma prática que conduziu à decapitação do Estado. Retirou-se-lhe a capacidade técnica e científica e procura-se nos escritórios, nas agências e nas empresas de consultoria os juristas, os advogados, os economistas e os engenheiros à altura. O Estado não emagrece, perde a cabeça. E fica dependente.
As trocas de acusações entre o governo, os partidos, o Banco de Portugal, o Banco Central Europeu e a Comissão da União Europeia já foram longe de mais e deixaram sequelas. A esta altura de responsabilidades é impossível ficar impune e imune. Os acima nomeados já se trataram de mentirosos... Nunca se viu uma tal guerra aberta e ácida que enfraquece o país e a economia. É possível que a banca portuguesa não venha a recompor-se tão cedo! Já tínhamos um longo percurso de erros, aldrabices e imperícia. Com a situação financeira internacional menos dramática, esperava-se que fosse possível salvar alguma coisa da banca portuguesa ou manter os pilares e as traves mestras de um sistema financeiro. É cada vez mais causa perdida.
O primeiro-ministro está radiante. Acredita no seu talento negocial e naquilo a que os jornalistas chamam há vários meses a sua grande habilidade, sem se dar conta de que é o pior que se pode dizer de alguém. Está satisfeito com a suavidade do Presidente Marcelo. Jubila com a cordialidade pacata do Bloco e a macieza do PCP.
Liderar um governo ou um país tem exigências. Uma delas consiste na necessidade de ser ou ter algo mais do que jeito para resolver problemas. A direcção política não se resume à habilidade para tratar de conflitos. A negociação permanente com os partidos, parceiros e grupos de pressão traz informação e traquejo, há mesmo quem lhe chame democracia, o que não é a mesma coisa. Mas é errada a crença de que a liderança resulta da negociação. É exactamente o contrário. A boa negociação resulta da capacidade de liderança. Da inspiração. Da existência de uma política.
Das peças avulso de um puzzle não sai uma imagem. A percepção da imagem é que vai ordenar as peças. Das azinhagas não sai um percurso. É o objectivo que selecciona os caminhos, o fim que define os meios. Ao contrário do que gostam de dizer os adolescentes românticos, o caminho não se faz caminhando. É o destino que desenha o itinerário.
É provável que António Costa venha a dizer aos colaboradores, aos membros do governo e aos apoiantes no Parlamento: "Já que sou o vosso primeiro-ministro, sigo-vos!"
 
 
17 DE ABRIL DE 2016
 
O que escrevo é em intencional desacordo com a nova ortografia imposta. 
 
Cumprimentos / Best Regards
      J. Loureiro de Sousa
 


----- Fim de mensagem reenviada -----


RAMALHO EANES







Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.

O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.

Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.

O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.

Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.

Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro. Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.

As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.

Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a.

Mas pedi-la, não. Nunca!»

O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.

"A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção", dirá. Torna-se indispensável "preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora".

Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta- acrescentando os outros.

"Senti a marginalização e tentei viver", confidenciará, "fora dela. Reagi como tímido, liderando". O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.

Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.
Fernando Dacosta
Nota: Já escrevi algures no Expresso um comentário sobre Ramalho Eanes, mas sinto-me na obrigação de dizer algo mais e que me foi contado por mais que uma pessoa.



Disseram-me que perante as dificuldades da Presidência teve de vender uma casa de férias na Costa de Caparica e ainda que chegou a mandar virar dois fatos, razão pela qual um empresário do Norte lhe ofereceu tecido para dois. Quando necessitava de um conselho convidava as pessoas para depois do jantar, aos quais era servido um chá por não haver verba para o jantar. O policia de guarda em vez de estar na rua de plantão ao frio e chuva mandou colocá-lo no átrio e arranjou uma cadeira para ele não estar de pé. Consta que também lhe ofereceram Ações da SLN-BPN, mas recusou.



ACRESCENTO:


PORTUGAL PRECISA DE HOMENS DE CARACTER O QUE INFELIZMENTE JÁ RAREIA E OS QUE POR AÍ ANDAM SÃO MARGINALIZADOS.